Ele com quarenta anos, ela com vinte. Uma paixão que começou numa caminhada até a igreja e se firmou em muita oração.
Paixão à primeira vista
Na congregação do Alto da Mooca faltavam professores para as crianças. A caminho da igreja, José passou a acompanhar um grupo que seguia a pé para a Igreja Metodista da Mooca. Fazia parte dele uma jovem muito bonita, Irene, que ia com as tias Helena e Letícia. Ele as convidou para ajudar na evangelização das crianças; os horários não permitiram, mas José continuou a caminhar e conversar com Irene — e logo se apaixonou.
A jovem Irene, filha de imigrantes italianos, nascera em Salto de Itu em 1922. Desde menina serviu com dedicação na Igreja Metodista da Mooca, onde fez sua profissão de fé aos doze anos e, aos dezesseis, já era professora das crianças.
O pedido negado — e o cerco da oração
Na primeira vez em que José falou de namoro, ouviu um não. Mas ele alugou um quarto quase em frente à casa de Irene e passou a orar até altas horas. A dona da pensão, amiga da família, avisou a moça:
Depois de muita oração e insistência, Irene concordou com o namoro. Casaram-se em 28 de março de 1942 — o primeiro casamento realizado no novo templo da Igreja Metodista da Mooca, cujo terreno, por sinal, a própria Irene havia indicado ao pastor anos antes.
Cleide e a casa dos milagres
Em 28 de julho de 1947 nasceu Cleide, a única filha do casal e o primeiro bebê membro da Igreja de Mirandópolis. A família viveu sempre com poucos recursos, mas sob um cuidado que o Rev. José chamava de providência. Certo Natal, sem dinheiro para o presente do marido, Irene se entristeceu; ele respondeu: “Não fique triste! Deus é dono de todas as camisas do mundo.” Dias depois, uma trouxa de roupas perdida por um caminhão de mudanças acabou nas mãos da família — e dela saíram nove camisas, todas exatamente do número dele.
A casa própria também veio como resposta a orações. Ben Yoshio Kimura, um dos jovens do internato que o casal acolhera, cumpriu uma promessa antiga e projetou o sobrado da família. Irmãos da igreja e amigos se mobilizaram com mão de obra, material e ofertas. No momento certo chegavam pisos, portas, janelas. Em três anos, a casa tão sonhada estava pronta.
São quatro letras unidas
formando a palavra AMOR,
tem mais força que a corrente,
tem mais perfume que a flor.
Irene, teu nome eu tenho
retratado no meu peito,
ele é qual uma paisagem
no meio, em linda miragem,
esplendente, um AMOR PERFEITO.
— Rev. José Emílio Emerenciano
Dona Irene foi companheira de ministério em cada cidade: superintendente da Escola Dominical, professora das crianças, organista, mãe das festas de Natal. Onde José pregava, ela ensinava — e muitos guardaram a vida inteira o abraço e as palavras que ela repetia aos pequenos: “Jesus ama você, e eu também amo você.”
“Deus é dono de todas as camisas do mundo.”
Rev. José, sobre confiar a Deus até as menores necessidades