Capítulo 04 · Obra

Um ministério de muitas cidades

Por onde passou, o Rev. José pregou o Evangelho e cuidou das pessoas por inteiro — alfabetizando, conseguindo bolsas de estudo, amparando crianças pobres. Este é o mapa de uma vida a serviço.

1931–1941 · A Igreja Holiness

De volta ao Brasil com as credenciais de ministro do Evangelho, José foi nomeado pastor assistente da Igreja Holiness em Santos e subia com frequência a São Paulo para pregar. Em 4 de janeiro de 1935, foi ordenado pastor com imposição de mãos pelo Bispo Shimekiti Tanaami. Pregava em português e em japonês nas casas, nas praças e nas igrejas.

Depois de um tempo dedicado só à colônia japonesa, abriu um ponto de pregação para brasileiros no Alto da Mooca, a Igreja Evangélica Santidade. A Escola Dominical reunia cerca de cem pessoas, a maioria crianças. Para as festas de Natal, ele pedia donativos às empresas da região e até ao Palácio do Governo, e as crianças ganhavam presentes e uma festa inesquecível.

Ponto de pregação no Alto da Mooca, 1937
Alto da Mooca, 1937 — o ponto de pregação para brasileiros.
Carta de apresentação do Bispo Tanaami
Credencial assinada pelo Bispo Shimekiti Tanaami.

1942–1946 · Barretos

Com a Segunda Guerra, os próprios irmãos japoneses aconselharam o casal a se afastar da colônia por um tempo. Uma porta se abriu na Igreja Presbiteriana do bairro do Frigorífico, em Barretos, ligada à Missão Oeste Brasil. Ali José e Irene começaram a vida de casados e a pastorear um povo simples e sofrido.

Foi um trabalho árduo e cheio de frutos. Iniciaram um curso de alfabetização à noite, ensinaram noções de higiene e saúde às famílias, e viram vidas transformadas — como a do operário Francisco, o “Chiquinho Garrote”, que largou os vícios e se tornou presidente do sindicato dos trabalhadores. Ao se despedirem, um jornal presbiteriano registrou que a igreja tinha visto no casal “os melhores presbiterianos”.

Templo da Igreja Presbiteriana do Frigorífico, Barretos
Barretos — templo da Igreja Presbiteriana do Frigorífico.
Membros da igreja de Barretos
A congregação reunida diante do novo templo de tijolos.

1946 · O marco: Mirandópolis

Com a morte de Nishizumi, o casal voltou às pressas para São Paulo. Em 7 de setembro de 1946, na própria residência dos Emerencianos, teve início a primeira Igreja Metodista Livre entre brasileiros — e José tornou-se o seu primeiro pastor. A sala, a escada e os quartos serviam para os cultos e a Escola Dominical; a máquina de costura de dona Irene fazia as vezes de púlpito.

Em 13 de outubro de 1949, a Igreja Metodista Livre do Brasil adquiriu personalidade jurídica, tendo o Rev. José como primeiro presidente. Estava lançada a ala brasileira da denominação.

Prédio da IMeL de Mirandópolis
Mirandópolis — a casa das missionárias e o primeiro templo brasileiro.
Congregação de Mirandópolis nos anos 50
A congregação de Mirandópolis no início dos anos 1950.

Da igreja-mãe brotaram uma escola — a Escola Americana de Mirandópolis — e, em 1956, a Faculdade de Teologia Metodista Livre, fruto de um sonho antigo e de um verdadeiro milagre de generosidade: alunos de uma faculdade nos Estados Unidos venderam até os próprios carros para custear a compra do sítio em Mairiporã onde o seminário se instalou.

Corpo docente da Faculdade de Teologia Metodista Livre
Corpo docente da Faculdade de Teologia Metodista Livre, que formou gerações de pastores.

1952–1960 · Lins e Vila Galvão

Em Lins, a única igreja do Concílio Nikkei que pastoreou, o Rev. José pregava em japonês num bairro cercado pela prostituição. Inconformado com a falta de cultos à noite, começou a bater de porta em porta e a convidar as jovens do bairro — três delas deixaram aquela vida, com o apoio de programas sociais que ele mesmo ajudou a articular. Depois veio Vila Galvão, em Guarulhos, região pobre e hostil à pregação, onde o casal amparou dezenas de crianças, conseguiu bolsas e encaminhou órfãos para o estudo.

Crianças da Escola Dominical de Lins, Natal de 1952
Crianças da Escola Dominical de Lins comemorando o Natal, 1952.

1961–1968 · São José do Rio Preto

Foi o campo mais longo da vida pastoral do casal, e onde muitas famílias chegaram aos pés de Jesus. Conhecedor do japonês, José pregava num programa de rádio e nas reuniões do clube da colônia. Como educador, deu aulas de inglês em escolas e institutos da cidade. Participou de conselhos de assistência social e recusou um convite para candidatar-se a vereador, para não misturar a política ao ministério.

Em 1962 representou o Brasil numa conferência da Igreja Metodista Livre na Flórida e, em 1969, no Concílio Mundial em Winona Lake, Indiana, onde integrou a Comissão de Educação Cristã. No desfile das nações, apresentou-se com um traje típico de vaqueiro nordestino, carregando a bandeira do Brasil.

Rev. José pregando no rádio
No rádio — mensagens em português e japonês.
Aula com flanelógrafo na Escola Dominical
Escola Dominical — aula com flanelógrafo.
Rev. José com a bandeira do Brasil no Concílio Mundial
Winona Lake, 1969 — desfile das nações.
Distribuição de folhetos de avião
Campanha evangelística: Cleide, o Rev. Roy Kenny e o Rev. José preparam folhetos que seriam lançados de avião sobre o bairro.

1969–1998 · Vila Bonilha e o pastor itinerante

De volta a São Paulo, o Rev. José serviu ainda em Mirandópolis e em Vila Bonilha, onde encerrou a carreira pastoral em dezembro de 1973, com quase 72 anos. Aposentado, tornou-se pregador itinerante, atendendo aos convites das igrejas do Concílio Brasileiro e do Concílio Nikkei. Mesmo aos 82 anos, ainda pregava. E aos 74, realizou um sonho antigo: viajou de carro até Fortaleza para reencontrar e evangelizar os parentes — plantando ali uma semente que dá frutos até hoje, inclusive na obra missionária no Japão.