Para entender a obra do Rev. José é preciso conhecer a igreja que ele ajudou a plantar entre os brasileiros — e o caminho que a trouxe da Inglaterra ao Japão, e do Japão ao Brasil.
O movimento metodista
O metodismo nasceu na Inglaterra do século XVIII, em meio à sociedade abalada pela Revolução Industrial. John Wesley, ministro anglicano, não se conformava com a apatia religiosa do seu tempo. Em Oxford, reuniu-se com um grupo de estudantes para orar e estudar a Bíblia com tanto método que passaram a ser chamados de “metodistas”.
A virada veio em 24 de maio de 1738, numa reunião na Rua Aldersgate, em Londres. Ouvindo a leitura de um comentário de Lutero sobre a Carta aos Romanos, Wesley sentiu o coração “aquecer-se de maneira estranha” e teve a certeza de que Deus havia perdoado os seus pecados. A partir dali, saiu das quatro paredes dos templos e pregou aos operários nas minas e nas praças, com uma frase que ficou conhecida no mundo cristão inteiro: “o mundo é a minha paróquia”.
Por que “Livre”?
De fundamento teológico arminiano, a Igreja Metodista Livre nasceu nos Estados Unidos em 23 de agosto de 1860, em Pekin, Nova York. O pastor Benjamin Titus Roberts e outros fiéis ao metodismo histórico protestaram contra o declínio moral e espiritual que viam na Igreja Metodista Episcopal — bancos alugados às famílias ricas, sociedades secretas, conivência com a escravidão. Excluídos, organizaram uma nova igreja, escolhida com propósito no nome: livre para ocupar qualquer assento no templo, livre da escravidão e da segregação, livre das sociedades secretas, livre do clericalismo, com plena participação dos leigos.
Do Japão para o Brasil
A Igreja Metodista Livre chegou ao Japão em 1895, pelas mãos do jovem Masazi (Paul) Kakihara. Anos depois, o casal de missionários Roy e Eva Millican daria continuidade à obra. Foi Eva Millican quem evangelizou, cuidou da saúde e batizou um rapaz pobre e tuberculoso chamado Masayoshi Nishizumi — que ela adotou como filho e passou a chamar de Daniel.
Formado no Seminário Metodista Livre de Osaka, Daniel Nishizumi decidiu ser missionário no Brasil. Chegou a Santos em 7 de junho de 1928, com pouquíssimos recursos, mas sustentado pela oração e pela ajuda de sua mãe espiritual, Eva Millican, e de dois irmãos na fé. Estudou o português, conheceu a cultura brasileira e, em 1º de novembro de 1936, realizou o culto de fundação da Igreja Metodista Livre no Brasil, em São Paulo — a princípio entre os imigrantes japoneses.
Nishizumi sonhava ir além da colônia japonesa e alcançar também os brasileiros. Por isso insistia, em cartas e encontros de oração, para que o amigo José Emerenciano se juntasse a ele nessa obra. Ele também pediu, com insistência, o envio de missionários dos Estados Unidos.
A alegria da chegada das missionárias durou pouco. Em 26 de junho de 1946, ao descer de um bonde na Vila Mariana, Daniel Nishizumi foi atropelado por um caminhão e faleceu naquela mesma noite. Suas últimas palavras ao cunhado foram: “Eu vou me encontrar com você no Céu. O meu trabalho aqui está terminado.” A obra que ele havia sonhado precisaria, agora, de outro para levá-la adiante.
“Metodista, pela fidelidade à doutrina wesleyana. Livre, porque seus membros deveriam ser livres.”